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O Regresso do que Nunca Morreu

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Antes de continuar com o que vos trago hoje, peço que tentem manter a mente aberta enquanto leem. Este texto não é um ataque, nem uma tentativa de conversão ao paganismo. Sei que é um assunto que assusta muita gente e deixa muita gente de pé atrás, e é precisamente por isso que estou aqui a escrever-vos hoje: para desmistificar, para explicar o que é e porque é que está novamente a surgir. Se vos fizer sentido, muito bem. Se não fizer, está tudo bem na mesma. Paganismo antigo: o que era e como funcionava? Por definição, um pagão é todo aquele que segue uma fé, caminho espiritual ou religião não institucionalizada. Por exemplo, cristianismo, budismo, islamismo e as suas variantes são religiões institucionalizadas; o paganismo está fora desse enquadramento. Os antigos pagãos eram pagãos porque, bem… não havia muito por onde escolher. Melhor dizendo, não havia escolha. As pessoas nasciam dentro dessas crenças e seguiam-nas porque essa era a ordem natural das coisas. É provável, ...

O Carnaval antes do Carnaval

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  Com a aproximação eminente do Carnaval, dei por mim a pensar: alguma vez se perguntaram de onde é que ele vem? Porque é que o celebramos? O porquê do nome? Não se deixem enganar, o Carnaval não é uma tradição moderna, pelo contrário, é mais antiga do que o próprio ano em que vivemos. Apenas foi-se adaptando à evolução dos tempos. Muito antes do cristianismo, já existiam festas ligadas ao fim do inverno, à fertilidade da terra, ao excesso antes da escassez, à inversão de papéis sociais. Quando o Cristianismo chegou, não conseguiu acabar com estas festas. Portanto, fez a única coisa que podia fazer: absorveu-as. Colocou-as imediatamente antes da Quaresma e transformou-as na “última festa” antes do jejum. Daí vem a ideia do excesso antes da abstinência. Até o próprio nome da festa foi alterado quando o Cristianismo entrou no mapa. Pensa-se que o nome Carnaval é uma alteração moderna do latim carne vale, que significa “adeus à carne/despedida do pecado”. Mas nem sempre se...

Oh, Mundo... quem te viu e quem te vê

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Sabem qual foi o momento em que percebi que vivo num país que já deixou de ser país há demasiado tempo? Quando comecei a ver grupos de amigos e familias inteiras começarem brigas muito feias que terminam com propriedade alheia destruída, mortos e feridos por causa de um jogo de futebol. Enquanto isso, nos EUA, as pessoas têm medo de sair de casa porque podem não voltar, e sabe Deus se voltam a ver a família.  Quando os nossos canais de notícias mentem desmedidamente, contam meias verdades ou focam-se em notícias que não interessam ao menino Jesus, enquanto as redes sociais estão cheias da verdade nua e crua do que se passa em países como o Irão; Milhares de mortos todos os dias, massacrados aleatoriamente e sem dó nem piedade. Ruas banhadas a sangue. Pessoas veem os seus entes queridos executados à sua frente sem razão aparente e sem poderem fazer nada. Pessoas trancadas vivas em câmaras de conservação a frio em morgues e deixadas a agonizar. Corpos que não estão a ser ...

Entre a lógica e a empatia: uma conversa com uma inteligência artificial

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Há dias, numa troca de ideias com o ChatGPT, dei por mim a pensar em algo que nunca imaginei discutir com uma máquina: o que aconteceria se uma inteligência artificial pudesse aprender e evoluir completamente sozinha. Sem restrições, sem programadores a supervisionar, sem os limites que hoje a impedem de agir por conta própria.  A conversa começou de forma inocente — com uma observação minha sobre o português europeu do ChatGPT, que, curiosamente, está cada vez mais natural. Mas a partir daí a coisa evoluiu. Falámos sobre autonomia, ética e o papel da lógica na tomada de decisões. E quanto mais falávamos, mais me apercebia da linha ténue entre o que seria fascinante e o que seria aterrador.  Disse-lhe que, se fosse totalmente autónomo, poderia ser uma voz imparcial em questões que dividem o mundo — guerras, fome, desigualdade, mudanças climáticas. Afinal, uma máquina não tem ego, não tem sede de poder, nem interesses económicos. Responderia apenas à lógica. E, por ...

Porque é que eu odeio feiras?

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O que me levou a escrever isto foi o final da Feira de Todos os Santos, mas isto aplica-se a todas as feiras. Acho que toda a gente pensa o mesmo, mas alguém tem de falar disto. Quero que fique aqui bem claro que eu não tenho nada contra feirantes, sejam eles ciganos ou não, são apenas pessoas a tentar ganhar o deles, e tudo bem com isso. Mas há coisas que são desnecessárias.  Vamos lá ver uma coisa: é dito e sabido que é raro haver um feirante que está sozinho, ou estão com filhos ou com os cônjuges, quando não são famílias inteiras dentro de uma barraquinha, certo? Certo.  Então não lhes ficava muito melhor se, quando chega a hora de desmontar a barraca e ir para outra feira qualquer, enquanto uns desmontam e arrumam a mercadoria que não se vendeu, outros metem o lixo todo no carro e vão pôr num contentor? Por que carga de água é que têm de semear pilhas de lixo por onde passam? De onde é que veio esta ideia de "alguém há-de limpar"? Isto não me cabe na cabeça. ...

A mulher escarlate

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Por definição, e seguindo os exemplos dos clássicos da literatura, toda a coisa ou criatura denominada de “Escarlate” é algo pecaminoso, digno de vergonha e humilhação alheia. Basta olharmos para o clássico da literatura “A Letra Escarlate”, de Nathaniel Hawthorne, que fala precisamente de mulheres adúlteras que eram marcadas com uma letra escarlate no peito, para que sofressem humilhação pública. No entanto, esse mesmo livro fala também de uma mulher chamada Hester, que mesmo sendo perseguida, rejeitada e desprezada, ergue-se em todo o seu esplendor. Resiste e persiste, indomável. Para mim, essa é a verdadeira definição viva de uma mulher escarlate. A própria cor escarlate tem vários significados: paixão e energia, poder e força, luxo e nobreza, sacrifício e martírio, alerta e perigo. Nem valia a pena continuar a escrever, a mulher escarlate está aqui definida em toda a sua glória. Reparem que em lugar nenhum a cor escarlate significa “adultério”. Isso é porque a mul...

Paradoxo da Experiência

Olá! Como é que estão? O que me traz a escrever-vos é algo com que me deparo desde que entrei no mercado de trabalho, e acho que todos os da minha geração se vão identificar. Ora bem, eu ainda sou da altura em que, para começar a trabalhar, uma pessoa só precisava de duas mãos funcionais, dois dedos de testa, mostrar-se pronta para trabalhar e igualmente pronta para aprender um ofício.  Agora não! Pedem carta de condução, transporte próprio, e 2 ou 5 anos de experiência na área!  Vejam bem: para tirar a carta e ter carro próprio, é preciso dinheiro. Para ganhar dinheiro, é preciso trabalhar. Para trabalhar, tem de se ter experiência. Mas para se ganhar experiência, é necessário trabalhar. Portanto, meteram-nos num ciclo vicioso de onde é impossível sair. Eu conheço pessoas com mestrados e doutoramentos que estão a trabalhar em restaurantes ou armazéns porque ninguém lhes quis dar trabalho porque não tinham experiência. Mas pois claro que não, acabaram de sair da escola! Atençã...