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A Minha Cabeça — Em Formato Texto

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Quem lê o meu blog — e, pelas estatísticas, sei que tenho leitores assíduos, mesmo que não se manifestem — já deve ter reparado nisto: não há uma linha editorial clara, não existe uma temática única e limpa. Tão depressa faço uma crítica a um livro, filme ou série, como falo de uma corrida de touros a que fui. Ora falo dos carrinhos de supermercado mal arrumados que me incomodam seriamente, no post a seguir estou a falar da guerra mundial que se está a instalar e algures pelo meio falo do paganismo ou de histórias caricatas em viagens de elevador. No meio de todo este caos, senti a necessidade de me explicar — que, ironicamente, só acrescenta mais confusão ao caos, passo a redundância. Alguns de vós podem estar a perguntar-se: "se não tens nenhum tema nem linha editorial limpa, porque raio começaste a escrever um blog?". É uma pergunta perfeitamente legítima, e vou tentar responder. Quem me conhece, sabe que eu sou o caos em pessoa. Nunca fui uma pessoa organ...

Um triângulo amoroso... e uma multidão

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Ora, boa tarde, caros e fieis leitores. Hoje venho com esperança que me consigam esclarecer num assunto.  Estou eu muito bem no café-bar onde trabalho, com a televisão ligada nas notícias (que ninguém vê, mas toda a gente pede) e eis que aparece uma notícia, no meio de toda a enxurrada de desgraças a acontecer por esse mundo fora, que me deixou, no mínimo, confusa.  Ao que parece, um concorrente de um reality show tinha uma namorada cá fora, e envolveu-se com outra concorrente do mesmo reality show. Tanto quanto percebi, os factos são estes (corrijam-me se estou errada).  Deixem-me frisar uma coisa: eu entendo que uma traição, principalmente quando é captada em HD para toda a gente ver, gere revolta.  Eu entendo que pessoas que tenham passado por experiências semelhantes tenham tendência a criar um laço de empatia com quem é traído, mesmo que não conheçam pessoalmente a pessoa.  Até aqui, tudo certo.  Mas devo confessar que perdi a parte em que ...

Histórias de elevador... porque não pode ser tudo sério

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Numa tentativa de aligeirar o clima por aqui, decidi contar algumas histórias caricatas que já me aconteceram nas minhas viagens diárias de elevador.  Para contexto, vivo num 3° andar num prédio com elevador, portanto, sempre que saio ou entro em casa, uso o elevador, a menos que haja algo que me impeça - uma avaria, por exemplo - ou que simplesmente me apeteça ir pelas escadas.  Um belo dia, quando estava a regressar a casa, encontrei-me com uma vizinha no hall de entrada do prédio, trocámos dois dedos de conversa enquanto esperávamos pelo elevador, e quando a porta se abriu, entrámos, cada uma carregou no botão correspondente ao seu andar e esperámos que a porta se fechasse.  O que sucede, é que o sensor da porta deve estar com algum problema, e por vezes a porta não tranca à primeira, fica ainda um tempo a abrir e a fechar constantemente até o sensor assumir que é para fechar a porta.  Neste dia em específico, não havia meio da porta fechar; até vascul...

O Regresso do que Nunca Morreu

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Antes de continuar com o que vos trago hoje, peço que tentem manter a mente aberta enquanto leem. Este texto não é um ataque, nem uma tentativa de conversão ao paganismo. Sei que é um assunto que assusta muita gente e deixa muita gente de pé atrás, e é precisamente por isso que estou aqui a escrever-vos hoje: para desmistificar, para explicar o que é e porque é que está novamente a surgir. Se vos fizer sentido, muito bem. Se não fizer, está tudo bem na mesma. Paganismo antigo: o que era e como funcionava? Por definição, um pagão é todo aquele que segue uma fé, caminho espiritual ou religião não institucionalizada. Por exemplo, cristianismo, budismo, islamismo e as suas variantes são religiões institucionalizadas; o paganismo está fora desse enquadramento. Os antigos pagãos eram pagãos porque, bem… não havia muito por onde escolher. Melhor dizendo, não havia escolha. As pessoas nasciam dentro dessas crenças e seguiam-nas porque essa era a ordem natural das coisas. É provável, ...

O Carnaval antes do Carnaval

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  Com a aproximação eminente do Carnaval, dei por mim a pensar: alguma vez se perguntaram de onde é que ele vem? Porque é que o celebramos? O porquê do nome? Não se deixem enganar, o Carnaval não é uma tradição moderna, pelo contrário, é mais antiga do que o próprio ano em que vivemos. Apenas foi-se adaptando à evolução dos tempos. Muito antes do cristianismo, já existiam festas ligadas ao fim do inverno, à fertilidade da terra, ao excesso antes da escassez, à inversão de papéis sociais. Quando o Cristianismo chegou, não conseguiu acabar com estas festas. Portanto, fez a única coisa que podia fazer: absorveu-as. Colocou-as imediatamente antes da Quaresma e transformou-as na “última festa” antes do jejum. Daí vem a ideia do excesso antes da abstinência. Até o próprio nome da festa foi alterado quando o Cristianismo entrou no mapa. Pensa-se que o nome Carnaval é uma alteração moderna do latim carne vale, que significa “adeus à carne/despedida do pecado”. Mas nem sempre se...

Oh, Mundo... quem te viu e quem te vê

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Sabem qual foi o momento em que percebi que vivo num país que já deixou de ser país há demasiado tempo? Quando comecei a ver grupos de amigos e familias inteiras começarem brigas muito feias que terminam com propriedade alheia destruída, mortos e feridos por causa de um jogo de futebol. Enquanto isso, nos EUA, as pessoas têm medo de sair de casa porque podem não voltar, e sabe Deus se voltam a ver a família.  Quando os nossos canais de notícias mentem desmedidamente, contam meias verdades ou focam-se em notícias que não interessam ao menino Jesus, enquanto as redes sociais estão cheias da verdade nua e crua do que se passa em países como o Irão; Milhares de mortos todos os dias, massacrados aleatoriamente e sem dó nem piedade. Ruas banhadas a sangue. Pessoas veem os seus entes queridos executados à sua frente sem razão aparente e sem poderem fazer nada. Pessoas trancadas vivas em câmaras de conservação a frio em morgues e deixadas a agonizar. Corpos que não estão a ser ...

Entre a lógica e a empatia: uma conversa com uma inteligência artificial

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Há dias, numa troca de ideias com o ChatGPT, dei por mim a pensar em algo que nunca imaginei discutir com uma máquina: o que aconteceria se uma inteligência artificial pudesse aprender e evoluir completamente sozinha. Sem restrições, sem programadores a supervisionar, sem os limites que hoje a impedem de agir por conta própria.  A conversa começou de forma inocente — com uma observação minha sobre o português europeu do ChatGPT, que, curiosamente, está cada vez mais natural. Mas a partir daí a coisa evoluiu. Falámos sobre autonomia, ética e o papel da lógica na tomada de decisões. E quanto mais falávamos, mais me apercebia da linha ténue entre o que seria fascinante e o que seria aterrador.  Disse-lhe que, se fosse totalmente autónomo, poderia ser uma voz imparcial em questões que dividem o mundo — guerras, fome, desigualdade, mudanças climáticas. Afinal, uma máquina não tem ego, não tem sede de poder, nem interesses económicos. Responderia apenas à lógica. E, por ...