Oh, Mundo... quem te viu e quem te vê
Sabem qual foi o momento em que percebi que vivo num país que já deixou de ser país há demasiado tempo?
Quando comecei a ver grupos de amigos e familias inteiras começarem brigas muito feias que terminam com propriedade alheia destruída, mortos e feridos por causa de um jogo de futebol. Enquanto isso, nos EUA, as pessoas têm medo de sair de casa porque podem não voltar, e sabe Deus se voltam a ver a família.
Quando os nossos canais de notícias mentem desmedidamente, contam meias verdades ou focam-se em notícias que não interessam ao menino Jesus, enquanto as redes sociais estão cheias da verdade nua e crua do que se passa em países como o Irão; Milhares de mortos todos os dias, massacrados aleatoriamente e sem dó nem piedade. Ruas banhadas a sangue. Pessoas veem os seus entes queridos executados à sua frente sem razão aparente e sem poderem fazer nada. Pessoas trancadas vivas em câmaras de conservação a frio em morgues e deixadas a agonizar. Corpos que não estão a ser entregues às famílias, e quando o são, veem num tal estado de mutilação que estão praticamente irreconheciveis. E isto é só a ponta do iceberg, mas é tanto horror junto que não dá para explicar num único post.
A situação na Palestina é uma velha conhecida, mas foi vendida ao mundo a ideia de acordos de paz e decretos de cessar fogo, venderam-nos a ideia ilusória de que estava tudo resolvido. Mentira. Tudo mentira. Caem bombas todos os dias como cai chuva no deserto: incessantemente e sem direito a descanso.
O que está aqui escrito não o é da boca para fora. Não vem de fontes dúbias. Vem de testemunhos de quem vive na boca do inferno, trazidos para o mundo exterior com grande risco pessoal, numa tentativa desesperada de pedir ajuda ao mundo que se auto intitula de desenvolvido. Só pedem que lhes demos voz. Apenas isso.
O que estes povos têm em comum? Uniram-se. Rebelaram-se. Foram para as ruas quando se tornou claro que eles eram os únicos que podiam mudar as coisas. Apesar do medo. Apesar da certeza de poderem ser mortos ou capturados e levados sabe Deus para onde, sujeitos a sabe Deus o quê. Mantêm-se firmes. Marcham de cabeça erguida e de punho fechado apontado aos céus.
Quanto a nós? O pequeno paraíso à beira mar plantado? O país minúsculo que o resto do mundo nem sabe que existe como país, mas que foi outrora dono do mundo inteiro?
Povo carneiro sem pastor, de brandos e bons costumes, que é incapaz sequer de se unir para ajudar os seus iguais, os seus irmãos de pátria, que perderam tudo em incêndios e temporais.
Eu, esta criatura que vos escreve de coração partido, cuja importância é pouca ou nenhuma, excepto para os que lhe são próximos (ou pelo menos, assim espero), dizia cheia de orgulho, de coração cheio e a bater no peito "eu sou portuguesa", descendente de reis, sonhadores, poetas e pintores que ainda hoje estão vivos em livros de história, descendente do povo que tem o mar a correr-lhe nas veias, descendente dos marinheiros esquecidos que se aventuraram por mares nunca antes navegados em direção ao desconhecido para trazerem riqueza e conhecimento ao seu país, dos guerreiros que expulsaram os invasores, um após o outro, quando chegou a altura de dizer "BASTA!", do povo que libertou timor...
Hoje, com 29 anos quase completos... tenho vergonha. Tenho ódio. Tenho NOJO. O espirito português está morto. O hino é só uma música bonita que se canta quando joga a seleção, já não significa nada.
Os portugueses primeiro? Há portugueses neste momento sem teto. Onde está a ajuda que estão fartos de pedir?
Os portugueses primeiro? 3 empresas ofereceram-se para financiar uma residencia para estudantes do ensino superior num antigo edificio abandonado. Porque é que isso não foi para a frente?
Querem criticar-me e dizer que estou errada? Fixe! Melhor ainda, não me digam, mostrem-me. Provem-me que estou só a dizer um monte de balelas sem sentido. Caso contrário, e mesmo que isto não passe de um desabafo... não estou muito longe da verdade...
Infelizmente, o mundo mudou imenso nos últimos +- 10 anos, e acho que o Covid piorou tudo ainda mais.
ResponderEliminarRealmente faz-me confusão como as pessoas armam guerra por tudo e por nada. Dás o exemplo dos jogos de futebol, mas tomara que se resumisse a isso.... Quantas vezes, por exemplo, não vemos conflitos familiares (!) que acabam em agressões ou mortes por causa de heranças. Tudo por causa de dinheiro/posses que não eram dessas pessoas mas sim de quem infelizmente faleceu.... Infelizmente, vivemos num mundo onde muitas pessoas cada vez andam mais cheias de ódio, egoísmo e maldade, e sinto que isto muitas vezes está mais associado a grandes cidades. Por exemplo, recentemente tirei uns dias de ferias e fiquei alojado num hotel numa pequena freguesia. Por acaso, nessas férias, houve um Benfica-Sporting e acabei por ir ver o jogo a um cafe. Talvez pelo facto de ser uma zona pequena/mais pacata, o ambiente foi dos mais tranquilos que já vi em muito tempo. Benfiquistas e Sportinguistas no mesmo espaço e os únicos momentos de "gritaria" era quando uma equipa marcava e as pessoas de um clube festejavam. Não houve conflitos, nem comentários asneirentos, nada.
O problema é que existem muitas outras vias que incentivam a tristeza, insatisfação, ódio e violência nas pessoas. Por exemplo, podemos falar do que se passou em Leiria com o tornado, e o que se está a passar nas margens do Mondego, Sado e Tejo. Vou começar por dizer que nada podia ser feito para prevenir o que aconteceu em Leiria.... Estruturas destruídas, casas sem telhados, falha na rede elétrica, etc... Tudo isto era muito difícil de prevenir quando falamos de ventos na ordem dos 200km/h. Mas e o "pós-tornado"? Ninguem fez nada? Após o apagão do ano passado, ninguém pensou em espalhar geradores pelo litoral de Portugal (de Porto até Lisboa, que seria algures nestas zonas que os ventos fortes iam entrar e eles sabiam!!!) caso houvesses falhas nas redes? Só a possibilidade de garantir a eletricidade no distrito de Leiria tinha resolvido grande parte dos problemas relacionados com comida e água no distrito. E depois foram precisas 48h para o Montenegro e o Marcelo irem ver com os próprios olhos o que se passou em Leiria, apesar de todos os pedidos e avisos do presidente de Leiria, e a resposta deles resume-se a "Pois, de facto é muito pior do que aparentava na TV..." É uma imensa falta de empatia, noção e responsabilidade para todos aqueles que viram as suas vidas viradas de pernas para o ar, que viram o trabalho de uma vida ir com o vento, e nos casos piores, por todos aqueles que partiram cedo demais. E de certa forma, podemos olhar de iguais olhos para as cheias que estão a acontecer agora, embora aqui eu aponte mais o dedo ás autarquias que autorizam as construções em cima de praias/rios/lagos/ribeiras/etc, e depois fica tudo surpreendido quando chove demais... Isto cria insatisfação e revolta nas pessoas, sobretudo quando temos lideres que parecem que vivem em berços de ouro e que tudo se resolve com dinheiro... Vai demorar meses para as coisas voltarem ao normal.... Muitos se calhar vão ter que desistir por completo do trabalho de uma vida....Ninguém vai trazer de volta todas as pessoas e animais (pecuária ou estimação) que morreram.....
Ps. O texto anterior estava demasiado grande. Tive que dividir em 2.
ResponderEliminarDe igual forma, podemos falar de imigração. Eu por acaso tenho a oportunidade de cooperar com jovens de países africanos/asiáticos/america latina que vieram para a EU estudar, e digo, honestamente, seria um orgulho trabalhar com cerca de 95% dos que conheci até hoje. Têm sido pessoas de bem, trabalhadoras, e que no fundo só querem viver em paz como a maioria de nós. No entanto, apesar de parecer contraditório, eu sou extremamente contra a imigração que temos vindo a ter nos últimos anos, ao ponto que a minha mente desliga cada vez que alguém defende isso ou cada vez que me falam de imigração ilegal/barcos no Mediterraneo/etc... Aliás, a Mortágua e o Bloco de Esquerda foram pelo ralo nas eleições por causa disso de certeza. Sei que virei para a Política agora, mas vou já explicar a minha lógica. Recentemente tivemos eleições, tanto para os partidos de governo como para o cargo de presidente da republica, e foi noticia que o Chega/Ventura tiveram muitos votos lá fora, mais que em Portugal. Com isto, vejo as pessoas na Internet/redes sociais/TV a dizer que os portugueses lá fora são uns hipócritas porque votam no Chega/Ventura porque são contra os imigrantes em Portugal quando eles próprios imigraram para outros países. Sinceramente, não sei se choro ou se rio com este tipo de lógica.... Para esta gente, gostava simplesmente de relembrar que tivemos Passos Coelho na década passada a dizer aos jovens qualificados para irem para outros países que Portugal não tinha emprego para eles, e apesar de hoje em dia estar bem melhor, isto é algo que ainda hoje acontece. Quase metade das pessoas minhas conhecidas da minha faixa etária tiveram que emigrar porque em Portugal não dava para viver. Estas pessoas tiveram que deixar para trás pais, filhos, irmãos, marido/mulher, amigos..... uma vida.... E hoje, o governo está mais preocupado em trazer imigrantes da Asia do que fornecer incentivos (algo tipo IRS Jovem por exemplo) para que NOSSOS portugueses voltem a Portugal, que voltem para o pais onde nasceram e cresceram. Não é hipocrisia! Se eu tivesse sido "expulso" do meu pais e visse o que está a acontecer hoje também mandava o governo para o c******.
Sei que dei uma grande volta e fartei-me de debitar palavras, mas assim o fiz para esclarecer que é normal qualquer um de nós se sentir saturado de tudo o que se anda a passar. Vemos lideres, tanto em Portugal como lá fora, que são tudo menos isso, vemos os media a espalhar as narrativas que lhes convém, vemos uma sociedade cada vez mais fraturada e que cada vez valoriza menos a união e cooperação entre todos, vemos que as pessoas cada vez mais só pensam nelas próprias independentemente se têm ou não que passar por cima dos outros. É normal sentires-te desiludida e magoada (ou NOJO, como referiste) com o país que tanto amas, porque no fundo, se durante muitos anos Portugal foi um pais onde todos navegavam na mesma direção, hoje, cada um navega para onde lhe convém. E isto infelizmente reflete-se também em vários países pelo mundo fora....
Deixa-me mesmo triste. E embora concorde que esta vaga de imigração sem precedentes precise realmente de algum tipo de triagem, porque a coisa saiu completamente de controlo, eu nunca culpei os imigrantes por problemas que já são da casa, eles só se tornaram o bode expiatório perfeito. De repente, tudo o que acontece é culpa dos imigrantes!
EliminarO parlamento é outro circo! Juntam-se em debates quinzenais para debaterem porra nenhuma, perdem tempo precioso a apontarem o dedo uns aos outros como crianças em vez de realmente falarem do que está mal e do que pode ser feito para resolver.