A Minha Cabeça — Em Formato Texto


Quem lê o meu blog — e, pelas estatísticas, sei que tenho leitores assíduos, mesmo que não se manifestem — já deve ter reparado nisto: não há uma linha editorial clara, não existe uma temática única e limpa.

Tão depressa faço uma crítica a um livro, filme ou série, como falo de uma corrida de touros a que fui.

Ora falo dos carrinhos de supermercado mal arrumados que me incomodam seriamente, no post a seguir estou a falar da guerra mundial que se está a instalar e algures pelo meio falo do paganismo ou de histórias caricatas em viagens de elevador.

No meio de todo este caos, senti a necessidade de me explicar — que, ironicamente, só acrescenta mais confusão ao caos, passo a redundância.

Alguns de vós podem estar a perguntar-se: "se não tens nenhum tema nem linha editorial limpa, porque raio começaste a escrever um blog?". É uma pergunta perfeitamente legítima, e vou tentar responder.

Quem me conhece, sabe que eu sou o caos em pessoa. Nunca fui uma pessoa organizada — aliás, foi a grande luta sempiterna da minha mãe e dos meus professores, porque segundo eles: "tu és inteligente e tens muitas capacidades, só tens de ser mais organizada". Era isto que escreviam nos meus cadernos quando os avaliavam. De pouco ou nada serviu, até hoje.

A ironia quase cruel no meio do meu caos é que sofro de um perfeccionismo patológico grave. Se estas duas coisas fazem sentido juntas? Não, absolutamente nenhum. Bem-vindos à minha cabeça!

Tudo o que sei é que, em meio ao caos, há um sistema que o mantém coeso. Um sistema que só eu entendo, um padrão que só eu vejo.

A todo este festim junta-se um enorme amor pela escrita. É daí — principalmente, mas não só — que nasce este blog.

Nunca veio de um qualquer desejo de ser popular ou famosa. Aliás, se há coisa que detesto é ser o centro das atenções.

Este cantinho da internet, que nasceu há 10 anos (só agora me apercebi disto), que já foi apagado, reconstruído, renomeado e reestruturado das mais variadas formas à medida que fui crescendo, surgiu da necessidade de ter uma voz.

E acabou por ser quase terapêutico. Porque foi ao criar este meu cantinho, refundido nos entrefolhos da internet, que percebi:

Eu não sou normal. Nunca vou encaixar. Eu sou a peça defeituosa no enorme conjunto de rodas dentadas que é o mundo humano, a peça que faz "clack" em vez de "click", apenas porque sim.

Em suma, toda esta explicação aparentemente sem sentido resume-se a isto: o meu blog é o meu reflexo. É caótico, desordeiro, desorganizado. Aponta o dedo. Confronta. Dá que pensar ou dá para rir. Tem ideias e fala de coisas de que nem o próprio diabo se lembraria.

Porque eu sou assim.

E está tudo bem.

E se isso fizer sentido para alguém — nem que seja por momentos — então já valeu a pena escrever.

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